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Poemas Laranja Original 09

  • Foto do escritor: Alexandre Pilati
    Alexandre Pilati
  • 16 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

A nona Edição da Revista Laranja Original foi lançada em 14/07/2025. Como sempre, esta é uma caprichada publicação, com refinado design e excelentes colaborações de artistas, escritores e poetas. Contribuo neste número com quatro poemas: "Lá vem ela", "Poema Político", "Amuleto" e "Não chore ainda não". Vida muito longa à Laranja Original! A revista pode ser adquirida em: https://www.laranjaoriginal.com.br/product-page/revista-de-literatura-e-arte-9-laranja-original


Leia os meus quatro poemas na postagem a seguir:




Lá vem ela

 

Eu não tenho a verdade

e disponho sobre a mesa

poucos problemas

 

Eu não a possuo apenas

persigo entender o que

procuro em meu ofício

 

Eu sou um homem

que chama alguém

 

não tenho isso – a verdade

 

Mas ela existe

e às vezes vem

 

Poema político

 

Do lado de cá o dia pasma:

as garças aguardam vísceras

as tartarugas

se apressam lentamente

para emergir

seu sorriso de cem anos.

Pescadores.

 

O morro

na ausência de sol

sugere

ícone barroco

que eu me ajoelhe

e agradeça estar ali.

 

É depois da baía.

Uma cidade ativa

e a cárie carioca

não se deixam ver

através do roteiro breve das nuvens.

 

- Que engraçado gente com chuva na praia...!

 

Um linchamento

uma chacina

uma música de Caetano sobre a Guanabara.

 

Tudo ocorre

manso ou denso

em afirmação irreversível.

Onde quer que você esteja.

 

Digo baixinho:

"é o tempo

coração

de tiro certo e por engano."

 

Só o que oscila

na paisagem

é meu olhar

à caça do improvável poema

descasado em definitivo da juventude.

 

Itaipu, 05 out. 2023

 

Amuleto

 

Eu te levo no bolso

como uma pequena rã

consagrada pelos ancestrais.

 

Eu sou teu enrosco

tua complicação, o que passa

sem licença feito pólvora pelo tempo.

 

Eu te aperto com a mão, muiraquitã:

te sinto minha amiga

minha liga, minha devoção.

 

Não chore ainda não

 

Talvez

o momento do poema

esteja chegando

mas será preciso

destruí-lo

 

para que o gesto

de ir embora

com a madrugada

não se apague da memória

 

O peso da vida

assim será

a luz do sol

rebatida na lua

injetada na lágrima

que se despede de nós

pelas beiras da inspiração

 

Talvez

esse momento solunar

esteja chegando

mas será preciso

construí-lo

 
 
 

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