Antologia Poética 1: 2004
- Alexandre Pilati

- 28 de mar de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 22 de abr de 2025
Trabalho atualmente na organização de uma antologia poética pessoal, buscando selecionar o que julgo ser o que é mais significativo em meus livros de poemas, de 2004 até hoje.
Aqui apresento a primeira leva de poemas selecionados. São de 2004, do livro sqs 120m2 com dce. Um livro quase juvenil, mas em que reconheço ainda hoje certos timbres desse velho peito de poeta batendo.
O sqs surgiu a partir de uma ideia, quase uma necessidade, de escrever um livro sobre Brasília. Quase todos os textos foram escritos, então, com essa ideia de "projeto", que é contrária à noção tradicional de uma coletânea de versos. Além de Brasília, a obra tem a intenção de discutir a relação entre literatura, mídia e mercadoria. Tudo está ali determinado por uma atmosfera irônica, que às vezes funciona como crítica, às vezes como defesa inocente do intelectual de classe média.

Vejam o que acham. O livro deve sair em 2026, quando faço 50 anos: "Que a vida passa, que a vida passa..."
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emana do. em seu nome é.
saúvas de gravata
discursando numa toca
fabricando túmulos
mastigando peitos
embolsando gorjetas
sentando o diabo no colo
e lhe cantando love songs
meu coração
é uma espelunca
embrulha-se
e engulha-se
engula-se
como uma foto
de satélite
impreciso e impressionante
meu coração
só símbolo
só sim
só
meu coração:
bijuteria
faca
a quem interessar possa
o título desse poema
escapou pelos desvãos
de meus jovens dedos
esclerosados
para ler uma estante inteira
de teoria da literatura
desiludiu-se
perdeu a cedilha
como quem larga a lente de contato jogada
no chão do vergel
soube que nada há
que fazer a não ser
estripar o coração
e os mais difíceis objetos
com certas palavras pontiagudas
internet
arredia-te
antes que um dia
de noite
(acredite!)
a rede te enrede
e te enrabe
erosão (ou ereção)
uma noite de 500 anos
enferruja-me os ossos
me come as falanges
rói-me as unhas
me descasca a pele
entreva-me as mãos
enquanto ao piano imito
um lance de debussy
puzzle candango
tomei umas cervejas no beirute
e (como inexoravelmente
fizesse parte de uma raça pacífica)
fui analisar esteticamente
a modernidade artística do plano-piloto
muitas janelas dos blocos de apartamento
estavam gradeadas – totalmente –
“é a segurança das criança”
sei que não é
sei que impedem a classe média
de pular no vazio
e ver a vida e os dentes
espalhados no vão do pilotis
freud implica
finalmente descobri
a razão de tanta traição
e abacaxi dentro de mim
tem um xis
encruzilhado
bem no peito
do meu nome:
aleXandreTM
smiles (ou 😊)
não te fies
neste sorriso de luar
aberto de par em par
dentro há dentes
de quarto-crescente
incandescentes
dentes que
são ogivas
(encurraladas)
nas gengivas
são minas
bombas meninas
(pétalas de pistola)
prontas pra explodir
bem no doce franjado
do teu beijo apaixonado
...? ou não ser?...
a vida não tem nome
é só
ida
e fome




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