top of page
  • Black Facebook Icon

Consciência lírica e trabalho na poesia de Orides Fontela

  • Foto do escritor: Alexandre Pilati
    Alexandre Pilati
  • 23 de jul.
  • 2 min de leitura

A poesia de Orides Fontela sempre me acompanhou como uma dessas vozes que não se apagam. Neste ano em que ela é a homenageada da Flip, revisitando um artigo que escrevi sobre sua obra em 2011, sinto que é o momento certo para compartilhar algumas dessas leituras com vocês.


O que mais me fascina em Orides é a maneira como sua poesia expõe, sem nenhuma concessão, a tensão que habita o próprio ato de escrever. Ela nos mostra que o trabalho poético é feito de lucidez e dor, de uma "consciência demais do ser" que transforma cada palavra em um campo minado. "Tudo será capaz de ferir. Será agressivamente real", ela escreve em "Fala". A palavra poética, para ela, é "densa e nos fere" — porque, no fundo, "(Toda palavra é crueldade)".


Essa consciência lúcida, que "mói as coisas com luz e clareza", é o que dá à sua poesia uma beleza tão singular e inquietante. Em "Ludismo", ela sintetiza esse movimento: "a vertigem das novas formas / multiplicando a consciência / e a consciência que se cria / em jogos múltiplos e lúcidos". A poesia, para Orides, é esse jogo em que a forma e a consciência se engendram mutuamente, num exercício que esgota "os níveis do ser".


O que me levou a escrever aquele artigo, há mais de uma década, foi justamente a percepção de que a obra de Orides nos oferece chaves para compreender a tensão entre o lírico e o não-lírico, entre o subjetivo e o objetivo — e, sobretudo, para pensar o lugar do trabalho poético na modernidade. Seu verso, "armado de uma expressividade tensa", não faz concessões. É uma poesia que nos confronta com a própria condição da palavra: instrumento de humanização e, ao mesmo tempo, testemunha de nossa alienação.


Se você, como eu, sente que a poesia de Orides merece ser lida com a mesma atenção com que ela foi escrita, convido você a ler o artigo completo. Nele, busco mostrar como a "consciência lúcida" que atravessa seus poemas é também uma consciência do trabalho poético, um incômodo que se transforma em forma e beleza.



 
 
 

Comentários


bottom of page